Freguesia de S. Jorge

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Freguesia de S. Jorge

Mensagem  Daniel Sousa em Seg Abr 05, 2010 9:00 am


Padroeiro: S. Jorge.

Habitantes: 881 habitantes (I.N.E.) e 800 eleitores em 31-12-2003.

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, panificação e construção civil.

Festas e romarias: Santo António, S. Bento, Senhora da Luz (12 de Fevereiro) e S. Jorge (23 de Abril).

Património cultural e edificado: Igreja paroquial, Casa da Quintela, Casa da Bouça, Casa dos Varaus, Casa da Pouzadela e capelas de Vilar e de Gração.

Outros locais de interesse turístico: Albufeira da barragem do Touvedo, praia fluvial (Senra) e lugares de Gração e Vilar.

Artesanato: Tecelagem, mantas de farrapos e bordados.

Colectividades: Associação Cultural e Recreativa de S. Jorge, Reserva Associativa de Gião (caça), Associação de Pesca Desportiva de S. Jorge e Rancho Folclórico Danças e Cantares de S. Jorge.



Esta freguesia é constituída por 28 lugares, são eles: Redonda, Senra, Souto de Lama, Varziela, Vaus, Viachão, Vilar, Vilar de Lobos, Lama, Lodeiro, Longra, Pedrada, Pençães, Picões, Pomar, Portela, Pousadela, Quintela, Barreiro, Campos de Sá, Chãos, Cimo de Vila, Coutada, Espinheiros, Fraga, Gração, Grova, Igreja.

Brasão: Escudo de ouro, dragão de vermelho realçado de negro; em chefe, uma espiga de milho de prata, folhada de verde e um cacho de uvas de púrpura, folhado de verde; campanha ondada de azul e prata de três tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro em maiúsculas : “ S. JORGE – ARCOS DE VALDEVEZ"

Em 1258, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, é citada como sendo uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui.

Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, mandado organizar pelo rei D. Dinis, para o pagamento de taxa. São Jorge foi taxada em 60 libras.

Em 1444, a comarca eclesiástica de Valença foi desmembrada do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, até 1512.

Neste ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu a D. Henrique, bispo de Ceuta, a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de Valença do Minho. Em 1.513, o papa Leão X aprovou a permuta.

No registo da avaliação dos benefícios eclesiásticos da comarca de Valença, efectuada em 1546, sendo arcebispo D. Manuel de Sousa, a igreja de São Jorge de Valdevez rendia 40 mil réis.

Segundo Américo Costa, a igreja encontrava-se provida de dois abades, sendo um deles com cura, que dividiam entre si os dízimos e primícias. O abade com cura era apresentado pela Mitra ou pelos cónegos de Santa Cruz de Coimbra, alternadamente.

Primeiramente foi da apresentação "m solidum'"' do convento de Muia com reserva do arcebispo. O outro era da apresentação dos viscondes de Vila Nova de Cerveira, não tendo quaisquer obrigações paroquiais.



Em 1758, o abade de São Jorge, Manuel Barbosa Duarte, ao descrever a freguesia, detinha-se longamente na influência do rio Lima nesta terra. Relatava que o rio cria «muita truta, vogas e escalo, e algum barbo; lampreias, sáveis e salmões». E lembrava que «não há nele couto, mas se pesca ordinariamente e sem licença de donatário algum».

«Tem barco nesta freguesia, distante desta igreja um tiro de bala de espingarda», acrescenta o abade Barbosa Duarte.

A freguesia possuía dois abades, um com cura (coadjutor) e outro sem ele.

O abade com cura era apresentado alternativamente pela mitra e pêlos cónegos de Santa Cruz de Coimbra. O abade sem cura, que não tinha qualquer obrigação paroquial, «limitando-se o seu serviço a receber e gastar rendimentos» a estas abadias se dava o nome de benefícios simples, era apresentado pêlos viscondes de Vila Nova de Cerveira.

No «Portugal Antigo e Moderno», dava-se conta, aqui, da existência de «um poço, no rio Lima, em que os lavradores deitam a nadar o gado doente, na crença de que fica são. Esta virtude curativa é atribuída pela tradição à passagem de um santo (que se supõe ser São Julião) por este sítio, fugindo à perseguição dos romanos e que foi, por fim, preso e martirizado em Flavia Lambria, que segundo uns ficava entre Monção e Valadares, no sítio das Caldas e, segundo outros, em Lindoso».

Relacionada com este costume está a história, passada na aldeia de Garção, contada por Pinho Leal na mesma obra: «Um certo fidalgo, tomando o nome suposto de D. Martim Velho, por alguma circunstância que se ignora, veio com sua mulher habitar para o lugar de Outeiro Maior, no sítio chamado Vila Boa. Com algum dinheiro que trazia, comprou gados que constituíram o seu principal património» (...)

«Como lhe adoecessem, os trouxe a banhar a este poço do Lima, onde melhoraram. D. Martim se veio a estabelecer em um sítio próprio, a que deu o nome de Gração que, no antigo português, dizem que significa bonito, engraçado, e que depois se corrompeu em Garção».

«Junto à casa em que vivia, tinha sempre este fidalgo, sobre o caminho, uma cesta em um poste, com pão, vinho e carne, ou peixe, para os passageiros».

«Por isto e pela bondade de D. Martim, seus descendentes foram sempre muito considerados e respeitados por estes sítios, sendo isentos de todos os trabalhos servis ou empregos vis do município; mesmo os desta família que tinham caído em pobreza». «Este D. Martim, velho, e sua mulher são progenitores dos Cerqueiras e Taveiras, nobres famílias da província do Minho», remata Pinho Leal.

Existe informação de que esta freguesia teria tido cinco ermidas. «Uma, que ficava no Lugar de Souto, na Quinta da Bouça, a qual orago Nossa Senhora do Rosário, e a fabrica o Padre Francisco Pereira Pinho, e nenhuma destas Ermidas tem Irmandade, nem concurso de romagem».

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"Não fales sem reflectir
Que a fala é como uma bala
Quando se deixa partir
Não há quem possa agarrá-la"

By: Delfim Pereiras Amorim
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