Freguesia de Ermelo

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Freguesia de Ermelo

Mensagem  Daniel Sousa em Qua Abr 07, 2010 7:32 am


Situada nas margens do rio Lima, esta freguesia é especialmente visitada, devido à existência da Igreja do S. Bento de Ermelo. Nos dias 10 e 11 de Julho, centenas de pessoas partem para a Romaria, grande parte delas, a pé para pagar as suas promessas feitas ao S. Bentinho.

A história desta igreja está associada à do mosteiro cisterciense de Ermelo que, segundo declaração do abade Frei João Martins e testemunhas afonsinas, de 1258, terá sido transferido de São Pedro dos Arcos para esta freguesia.

Segundo o Padre Avelino Jesus da Costa, que se fundamenta na opinião de Félix Alves Pereira ("Epigraphia Christiano-Latina-uma inscrição inédita") sobra a datação de uma necrópole e inscrição aí gravada, o mosteiro de Ermelo poderá ser anterior a D. Teresa. Esta não terá sido a sua fundadora, mas restauradora e benfeitora, doando-lhe muitos bens. D. Afonso Henriques coutou São Pedro do Vale a este mosteiro e os reis D. Afonso II e D. Afonso III legaram-lhe nos seus testamentos, em 1221 e 1271, 100 morabitinos e 50 libras, respectivamente.

Em 1258, na lista das igrejas do bispado de Tui situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, o padroado da igreja pertencia ao rei.

Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, que o rei D. Dinis mandou elaborar, para determinação da taxa a pagar por cada uma delas, o mosteiro de Ermelo foi taxado em 200 libras. Apesar de desafogada situação económica em que se encontrava nessa época, o mosteiro veio a ressentir-se da recessão demográfico-económica que se verificou desde meados do século XIV a meados do seguinte. Por este motivo, o abade D. Frei João Martins solicitou ao rei D. João I a anexação ao mosteiro das igrejas de Britelo e de Soajo.

Em 1441, porém, o mosteiro foi reduzido a igreja paroquial por ser "de muy poucas rendas" (José Marques, "O mosteiro de Bulhente", doc.3).

Em 1497, o rei D. Manuel procurou modificar esta situação, confirmando ao mosteiro todas as honras, mercês e privilégios, que os seus antecessores lhe haviam outorgado.

Esta confirmação, bem como a anexação da igreja de São Pedro do Vale, não lograram, contudo, alcançar a melhoria pretendida da situação económica do mosteiro. Em 1533, o abade geral de Claraval, na França, visitou este mosteiro, tendo-o encontrado muito arruinado e sem rendimentos para sustentar um único monge. Por este motivo tomou a resolução de o suprimir. O mosteiro de Ermelo dependia do mosteiro de Giães e, através deste, do de Claraval.

Em 1546, na avaliação mandada efectuar pelo arcebispo D. Manuel de Sousa, Santa Maria de Ermelo, então denominada "Armello" rendia apenas 22 mil réis. Enquadrava-se nessa época no concelho de Soajo.

No Censual de D. Frei Baltasar Limpo (1551-1581) registou-se sumariamente: "Ermello, Samcta Maria, mosteiro da Ordem de Cister, Del Rey".

Todavia, só em 1581, o comendatário desistiu em favor de Alcobaça, ficando os seus bens anexos ao colégio universitário de São Bernardo de Coimbra.

Em termos administrativos, este freguesia pertenceu, em 1839, à comarca de Monçaõ e, em 1852, à de Arcos de Valdevez. Em 1878, fazia parte do julgado do Soajo.



Esta freguesia é tambem conhecida pelas famosas "Laranjas de Ermelo" grandes e saborosas!

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