Doenças e Cuidados Médicos

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Doenças e Cuidados Médicos

Mensagem  Miguel Pereira em Qua Abr 07, 2010 4:29 pm

Poucas pessoas recorriam outrora aos médicos, nos meios rurais do Alto Minho.
Não porque rareassem as doenças, pois nem só bons ares e alimentação sadia têm o condão de as evitar.
Anemias, raquitismo, escrófulas, "humores frios", tísica (ás vezes galopante), reumatismo, tifo, pneumonias, o raminho e outras moléstias eram o que mais se via.
Viravam-se para os remédios caseiros: vinho quente com açúcar ou aguardente queimada, se havia tosse; papadas de linhaça polvilhada com mostarda, quando os brônquios eram atacados; chá de macela para empanturramento de feijão ou indigestão de pepino; de cidreira, para o flato, má disposição de estômago ou outras miudezas; toalhas de água quente em cólica intestinal. Para pontadas nas costas, aplicavam ventosas; lingua suja curava-se com água de unto e purgante de óleo de rícino e dores de pedra na bexiga com tisanas de barba de milho.
As crianças eram achacadas a lombrigas ("bicha solitária") e quando estas davam sinal de vida, recorria-se aos calomelanos, sem dúvida a coisa mais repugnante que se pode imaginar.
Vinham também o sarampo, a varicela, a papeira e uma ou outra gripe. Metiam-se á cama, entre mantilhas ou cobertores vermelhos para o primeiro; suadouros, escalda-pés e sinapismos, sobretudo para a última.
Em problemas de dentes, havia a pedrinha de sal; a fumaça de cigarro se estavam furados; o ferreiro se abanavam e já não tinham préstimo: prendia-os com um arame fino, aquecia o ferro de mexer o carvão ao rubro, chegava-o á cara do paciente e este fazia o resto, fugindo para não se queimar, com a cova donde saíra o dente a sangrar copiosamente.
Depois era desinfectar com vinagre e deixar correr o tempo.
Tumores lancetava-os o barbeiro e de partos não faltava quem entendesse ou, pelo menos, disso estivesse convencido.
De vez em quando, uma ou outra coisa corria mal: sobrevinha infecção, febre, delírio e por fim a morte.
Toda a gente se resignava com o que dizia ser a vontade de Deus.
O médico era só para casos extremos. Muitas vezes era chamado tão tardiamente que quase mais nada podia fazer a não ser declarar o doente sem vida e assinar a certidão de óbito, ou então mandar a família chamar o padre para dar a Extrema-Unção ao pobre doente.
Mudaram os tempos, vieram as Casas do Povo, o direito á consulta gratuita, a descoberta da cura de muitas doenças, uma ou outra operação de alguém mais corajoso, a certeza dos bons efeitos dos medicamentos e já ninguém dispensa hoje os cuidados da Medicina.

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