Freguesia do Couto

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Freguesia do Couto

Mensagem  Miguel Pereira em Sex Abr 09, 2010 7:33 pm


Brasão: escudo de vermelho, ponte de um arco de prata, lavrada de negro, movente dos flancos e de um ondeado de prata e azul de três tiras; em chefe, duas chaves passadas em aspa, uma de ouro e outra de prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "COUTO - ARCOS DE VALDEVEZ".
Bandeira: branca. Cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.

Padroeiro: S. Pedro.
Habitantes: 640 habitantes (I.N.E.2001) e 789 eleitores em 31-12-2003.
Actividades económicas: Agricultura, comércio e pequena indústria.
Festas e romarias: Senhora das Dores, Santo António, São Sebastião.
Património cultural e edificado: Igreja paroquial, Capela de Santo António, Quinta da Capela, Casa do Paço e Ponte velha.
Outros locais de interesse turístico: Margens dos rios Ázere e Vez.
Colectividades: Associação Cultural e Desportiva Unidos de Couto.


(Ponte Romano-Medieval sobre o rio Ázere)

A freguesia do Couto pertence ao Concelho de Arcos de Valdevez, Distrito de Viana do Castelo. Ocupando uma área de 6,20 km2, esta freguesia situa-se a cerca de 3 km a norte da sede concelhia, nas margens esquerda do ribeiro de Porta Cobelo/Talho e do Rio Vez, bem como nas margens direita do Rio Ázere e da ribeira de Porto Avelar. Constituída pelos lugares de Selim, Pinheiro, Porta, Bouça e Aldeia, a freguesia do Couto caracteriza-se ainda por confinar a norte com Gondoriz, limitada em parte pelo ribeiro de Porta Cobelo/Talho, a este e a sul com Grade, da qual é separada pela ribeira de Porto Avelar e Rio Ázere. a sul com Giela, da qual é também separada pelo Rio Ázere, e a oeste com Prozelo através do Rio Vez.

O povoamento do território desta freguesia data de tempos muitos remotos a avaliar pela existência de fortificações castrejas nas vizinhanças, especialmente pelas antas da Chã do Torrão em Selim. A própria toponímia mais representativa também é testemunha dessa antiguidade, através de:

- Bouças do Rei, Cabana do Freixo, Carrascal, Casarão, Cerquedo, Crasto, Crastos, Currais, Detrás da Cabana, Lapa, Lapa da Moura, Padornelo, Penedo da Cadeia, Quinta e Tomada, no lugar de Selim;
- Assento, Currais e Fornos, no lugar d'Aldeia, Caneiro, Casais, Celeiros, Crestos, Granja e Tomada, no lugar da Bouça;
- Castelo, Cima, Escutado, Fojo, Quinta, Secas e Talho, no lugar de Pinheiro;
- Assento, Cima, Fojo, Mosteiro, Paço e Residência, no lugar da Porta.

Há, ainda, a referir os casos de:

- Pousada, no lugar da Aldeia, do arcaico "pausada";
- Trancoso, no lugar da Bouça, do arcaico "troncoso",
- Selim, genitivo de um nome pessoal de origem germânica: "Sillinus", isto é, "villa Sillini”;
- Couto da Costa, em Aldeia, que reforça o principal Couto, do arcaico "couto" — no primeiro nome, significando um padrão (ou marco) limitante (colocado no sítio da Costa), e no segundo significando o próprio território privilegiado.

Trata-se do próprio Couto d'Ázere, criação de D. Teresa por carta datada de 2 de Setembro de 1125, com que a "rainha" doa e couta à Sé de Tui: "... monasterium quoddam quod est in Valle de vez nomine Azar".
Actualmente, as freguesias de Ázere e Couto estão separadas, mas inicialmente constituíam uma só: Couto de Ázere. Naquela existia o mosteiro, causa do coutamento, e nesta esteva a cabeça do couto quando este, por jurisdição senhorial, se manifestou em Concelho, tendo seu pelourinho no lugar da Porta (que talvez o possam confirmar os topónimos locais contíguos: Paço e Coto ou Couto "da Cruz").
Dai a razão de se chamar Couto a esta freguesia, embora, antes, se tenha chamado Gândara, topónimo ainda existente no lugar da Bouça. Ainda relativamente ao lugar de Selim, José Cândido Gomes diz que "... provém d'um senhor árabe, que alli réstia muitos annos. No logar há vestígios de civilisação árabe. Corre neste logar que viveu ali um senhor árabe que lhe deu o nome".
À semelhança da maioria das freguesias, a do Couto nasceu da antiga paróquia que era designada por São Pedro de Gândara.
Pinho Leal refere que esta freguesia foi erigida em Couto pelo Conde D. Henrique em 1100 e que se chamou Couto da Porta, tendo sido extinto no reinado de D. João I. Segundo José Anastácio de Figueiredo, Couto era todo aquele lugar ou herdade demarcado por autoridade do monarca, onde não se podia entrar por arbítrio próprio, mas sim por licença do respectivo senhor.


(Igreja Paroquial)

Em 1242, esta freguesia é mencionada na doação do pároco Martim Nunes ao abade e convento do Mosteiro de Fiães de bens e direitos: "... et quantum habeo in uilela de gradi et in selin et quantum habeo in ecclesia sancti petri de gandera Facta donationesub era m cc lxxx...".
As Inquirições de 1258 não fazem referência a esta freguesia, mas em 1290 as Sentenças de D. Dinis das referidas Inquirições mencionam: "Jtem freguesia de sam Pedro de gondera he prouado que he couto ao moesteiro d azar per padrões e d ouuida dizem as testemunhas que o coutou haa Rainha dona tareiga Estee commo estaa" . Em 1320, o Rol de taxação régia das igrejas e dos mosteiros do Bispado de Tui, situados no território de Entre Lima e Minho, incluindo os de Valdevez, refere o seguinte: "It Ecclesiam Sancti Petri de Gandara ad quadraginta libras".
Segundo Pinho Leal, em Portugal Antigo e Moderno, na época em que esta freguesia era cabeça do Couto d'Ázere, tinha juiz ordinário, dois vereadores, escrivão, meirinho, etc...
Na sua obra intitulada Corografia Portuguesa, o Padre António Carvalho da Costa diz que: "... em tempo delRey D. João o primeiro entrou a devacallo a Jurisdição dos Arcos, & a Igreja se unio a huma Conezia da Sé de Braga, que apresenta nella Vigário com oitente mil reis de renda, & trezentos mil reis para o Cónego, que se intitula Abbade de S. Pedro do Couto". Na verdade, os párocos ainda hoje aqui são tratados por abades.
Segundo o Numeramento ordenado por D. João III, em 1527, São Pedro da Gândara tinha 22 casais e, pelo Censo de 1890, esta freguesia tinha 222 fogos e 773 habitantes, dos quais 335 homens e 438 mulheres. Sabiam ler 129 homens e27 mulheres, sendo 2 estrangeiros. O pico máximo da população desta freguesia foi atingido no recenseamento de 1960 com 972 habitantes. A partir daí, passou a diminuir.

Ainda, a respeito da história desta freguesia, no Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, pode ler-se na Íntegra:
"Em 1320, no catálogo das igrejas de Entre Lima e Minho pertencentes ao bispado de Tui, mandado efectuar por D. Dinis, para determinação da taxa a pagar, esta igreja, denominada então São Pedro de Gândara, foi taxada em 40 libras".
Em 1444, D. João I conseguiu do papa que este território passasse a pertencer ao bispado de Ceuta.
Mais tarde, em 1512, toda a comarca eclesiástica de Valença passou para o arcebispado de Braga, recebendo o bispo de Ceuta D. Henrique, a comarca de Olivença.
Para a incorporação dos 140 benefícios eclesiásticos de Entre Lima e Minho na diocese de Braga, D. Diogo de Sousa mandou proceder à sua avaliação: São Pedro de Gândara rendia 50 alqueires de pão terçado.
Em 1546, no Memorial do vigário da comarca de Valença, Rui Fagundes, ainda denominada São Pedro de Gândara, rendia 20 mil réis.
No Censual de D. Frei Baltasar Limpo, na cópia de 1580 que o Padre Avelino Jesus da Costa analisou para a elaboração do seu livro "A Comarca Eclesiástica de Valença do Minho", refere que São Pedro de Gândara era da colação do arcebispo.
Segundo Américo da Costa, foi vigairaria da apresentação de uma conesia da Sé de Braga.


(vista do vale do rio Ázere)

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