Lendas da freguesia do Couto

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Lendas da freguesia do Couto

Mensagem  Miguel Pereira em Seg Abr 12, 2010 11:03 am

-Em Abril de 1899 deu-se nesta freguesia um facto que foi clarificado de diversos modos, até de milagre, e que se resume no seguinte, como se pode ver no jornal "O Comércio do Vez", de 23 do referido Abril:
"Hontem, 22 do corrente, quando um carreteiro conduzia no seu carro uns esteios de pedra para o sr. José Rodrigues Coelho, da freguesia do Couto, o mesmo carreteiro viu que o gado fez paragem inesperada no caminho e não quis andar mais para a frente com o carro, apesar de muito diligenciar com afagos e castigos, usuais em tais casos pelos respectivos carreteiros.
Juntou-se muita gente que viu isto, e vendo que o gado não andava depois de observarem as patas do mesmo, o eixo do carro e o caminho, vieram com espanto a descobrir que em frente do gado e no chão envolto em pó, estaca um crucifixo de metal de cerca de 75 centímetros de tamanho, e que provavelmente alguém ali perdeu.
Levantaram o crucifixo, e imediatamente o gado começou a andar, mesmo sem o tangerem".

Este caso foi muito comentado, e levou ao Couto muitas pessoas para verem o crucifixo, que o sr. José Rodrigues Coelho mandou dourar e meter num pequeno relicário que tinha à veneração em sua casa.

-Houve em tempos um lugar chamado Fornos (toponímia ainda existente no lugar d'Aldeia) e actualmente local de campos e pinhal. Consta que a sua liquidação se deveu ao facto de uma epidemia ter assolado o mesmo. José Cândido Gomes, em As Terras de Valdovês, conta que "O motivo foi tel-o os povos visinhos arrazado por ter-se tomado num foco epidémico muito perigoso. Ainda há nelle ruínas d'algumas casas".
Segundo os mais idosos, o nome "Fornos" devia-se aos fornos que ficaram das respectivas casas.

-Custódia de Sã Sotto Mayor, do lugar d’ Aldeia, nascida em 1854 e falecida cem anos depois, tinha o mau hábito de por tudo e por nada rogar pragas.
Certa ocasião, vinha do monte com um feixe de lenha para o lume e pelo caminho, de repente, dá com uma cobra atravessada na via. Como ficou surpresa e assustada, na precipitação rogou uma praga e, nesse momento, a serpente saltou contra o seu peito, deixando-a apavorada. A partir daí, ficou doente e viu-se obrigada a vender uma propriedade para custear as despesas com o tratamento. Depois de um dos tratamentos, talvez o último, durante tempos passou a usar ao pescoço uma chave com que havia sido fechada (no dizer popular) para que nela não voltassem a entrar maus espíritos.

-No lugar de Pinheiro, junto ao rio Vês e ao ribeiro de Pinheiro, existe um local denominado Salgadeira e, segundo se conta, este topónimo tem origem no facto de aí se terem afogado diversas pessoas quando ao rio iam tomar banho.

-Conta-se que a imagem de Nossa Senhora das Dores, que se encontra em altar próprio, na Igreja Matriz da freguesia, foi trazida da extinta capela das Almas, do lugar de Chãos, em Gondoriz. Mas há ainda outras versões sobre esta imagem.

-Imagem de Nossa Senhora do Couto
Muitos são os que se referem à origem desta milagrosa Senhora da forma que se vai expor a seguir:
"Certo dia, um homem mentecapto entrou numa Igreja da Galiza, do Termo da cidade de Tui, chamado Olelos.
Aproximou-se de um altar, onde encontrou uma linda imagem de Nossa Senhora, do tamanho de palmo e meio, com o Menino Jesus nos Braços. Tirando-a do altar, levou-a consigo até ao lugar do Couto d’Ázere ou do Trancoso, na mesma Freguesia. Tão grande era a sua ignorância, que andava a oferecer a imagem a quem lha comprasse. Não encontrando ninguém interessado (por desconfiarem que era furtada), entrou em casa de um vizinho e pediu-lhe fruta em troca da imagem. Ali deixou ficar a imagem e o dono da pousada colocou-a em local de reverência para a venerar.
Com a presença da Santa Imagem, o homem começou a sentir grande devoção e considerou que a Senhora não estava bem em sua casa, pedindo ao pároco da Freguesia que a levasse para Igreja, o pároco assim fez, em grande procissão com o povo da terra, e logo a Santa começou a fazer milagres.
O Cura de Olelos, ouvindo falar da Santa e não sabendo o que acontecera com a que desaparecera da sua Igreja, desconfiou que se tratasse da mesma e quis examiná-la. Entretanto, o pároco do Couto d' Azere, tomando conhecimento de que poderiam vir buscar a Imagem de Nossa Senhora, mandou fazer uma igual, do mesmo tamanho. Assim, perante o pároco de Olelos, colocou as duas imagens para que ele levasse a sua. No entanto, colocou-as de forma a que a imagem milagrosa ficasse no Couto e a nova fosse para Olelos".

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